Firefox 154: Busca por IA, Suporte ao GeForce NOW e Mais

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O Firefox 154 foi oficialmente lançado, e a Mozilla aproveitou para entregar uma das atualizações mais movimentadas dos últimos tempos. Tem inteligência artificial, jogos na nuvem rodando direto no navegador, uma nova opção de busca focada em privacidade e uma mudança de rotina que vai afetar todo mundo que usa o navegador daqui para frente.

Se você usa o Firefox no dia a dia — ou está pensando em voltar para ele —, vale conhecer o que mudou. Vamos por partes.

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Smart Window: a experiência de navegação com IA

A grande estrela da versão é a nova geração do Smart Window, a experiência de navegação assistida por inteligência artificial da Mozilla. Ela consegue usar as abas abertas que você selecionar e o histórico de navegação para responder perguntas, organizar abas relacionadas, encontrar páginas visitadas anteriormente e ajudar a retomar tarefas que ficaram pela metade ou pesquisas que exigem vários passos.

Se o nome não soa familiar, há um motivo. A Mozilla apresentou o recurso originalmente como “AI Window”, em novembro. Durante os testes beta, ele deixou de ser um simples assistente e se transformou em um espaço de trabalho mais amplo, voltado a pesquisar, organizar material e recuperar tarefas inacabadas.

Um ponto importante: o Smart Window é totalmente opcional. Os usuários controlam qual contexto de navegação ele pode acessar e qual modelo de IA utilizar, tudo por meio dos Controles de IA do Firefox. E ficou mais fácil chegar lá — agora dá para digitar “Manage AI” na barra de endereços para acessar rapidamente essas configurações, em vez de navegar até Configurações e Controles de IA. A beta está disponível em inglês nos Estados Unidos e no Canadá.

Agrupamento de abas e histórico com prévias visuais

Entre as novidades desta versão está o agrupamento de abas assistido por IA. O Firefox agora sugere grupos de abas relacionadas e propõe um nome para cada grupo — recurso que chega em liberação progressiva, ou seja, alguns usuários verão antes dos demais. Ele também detecta e fecha abas duplicadas.

Vale uma distinção técnica interessante para quem se preocupa com privacidade. Diferentemente dos “grupos inteligentes de abas” do modo clássico, que usam um modelo local para fazer a correspondência, essa versão recorre a um modelo de linguagem na nuvem para analisar as abas, agrupá-las e sugerir um nome. São abordagens distintas, com implicações diferentes sobre onde seus dados são processados.

Outra adição prática é a prévia visual no histórico de navegação. Em vez de abrir uma página por vez para descobrir qual era, você visualiza miniaturas e identifica rapidamente a que procurava.

Busca com IA: a parceria com a Exa

O Smart Window ganhou também busca na web movida a IA, resultado de uma nova parceria da Mozilla com a Exa, empresa focada em busca e recuperação de informações com inteligência artificial. Na prática, a Exa passa a alimentar essa funcionalidade, permitindo encontrar informações atualizadas e entregar respostas com citações visíveis das fontes, direto no navegador.

A privacidade recebeu atenção especial nesse arranjo. As informações enviadas junto com a consulta, como o endereço IP, são eliminadas antes do processamento, e as fontes aparecem na própria resposta, sem precisar abrir uma página separada de resultados. A Mozilla afirma que os recursos operam com uma política de retenção zero de dados, na qual nenhuma informação do usuário fica armazenada de forma permanente.

A parceria não se limita ao desktop: ela também traz o recurso “Quick Answers” para o iOS. E houve ganho expressivo de desempenho na busca por vídeos, com a latência caindo de cerca de 260 ms para aproximadamente 30 ms.

GeForce NOW: mais de 2.000 jogos direto no navegador

Depois de bastante espera, o Firefox 154 finalmente traz suporte oficial ao NVIDIA GeForce NOW no Windows. Esta é a primeira versão do navegador da Mozilla compatível com o serviço.

Isso permite transmitir mais de 2.000 jogos de PC diretamente no Firefox, com resolução de até 1440p e 120 quadros por segundo para assinantes do plano Ultimate. A grande vantagem é dispensar tanto a compra de hardware caro quanto o download dos jogos.

Por enquanto, o recurso está limitado ao Windows — o que é uma pena para quem usa Linux ou macOS, embora seja comum que esse tipo de suporte se expanda depois.

Startpage chega como opção nativa na Europa

Outra novidade relevante é a integração do Startpage, buscador focado em privacidade, como opção nativa no desktop para usuários da Alemanha, França, Áustria, Suíça e Holanda. O suporte para Android e iOS está previsto para depois.

Antes dessa mudança, quem quisesse usar o buscador de origem holandesa precisava configurá-lo manualmente; agora ele aparece direto nas configurações de busca. Segundo a Mozilla, mais de 1 bilhão de consultas por ano já passam pelo Startpage dentro do Firefox, e o serviço entrega resultados sem criação de perfil e sem IA.

Vale registrar que o Brasil não está na lista inicial de países contemplados. Ainda assim, nada impede que usuários brasileiros adicionem o Startpage manualmente como buscador, como sempre foi possível.

As mudanças que quase ninguém comentou

Além dos destaques principais, o Firefox 154 traz uma leva de melhorias que merecem atenção — algumas bem úteis no dia a dia.

O backup local de perfil, que já existia no Windows e no Linux, chegou ao macOS, e as restaurações funcionam entre as três plataformas. A função de tradução de página inteira agora também traduz conteúdo dentro de iframes e executa identificação de idioma em todos os carregamentos de página, em vez de confiar apenas no que o site declara.

Na frente de segurança e privacidade, agora é possível isentar sites da limpeza de cookies e dados ao encerrar o navegador sem que isso os isente também da proteção contra rastreamento e das demais restrições de cookies. As proteções de acesso à rede local foram estendidas às conexões WebSocket: sites que tentarem abrir uma conexão desse tipo com um dispositivo da sua rede passam a pedir permissão antes.

Há ainda ajustes de interface. O layout de abas verticais melhorou em tela cheia, com a barra lateral se ocultando junto às barras de ferramentas e reaparecendo quando o cursor vai até a borda da tela. O Firefox View saiu da barra de ferramentas por padrão em perfis novos e naqueles em que o recurso não vinha sendo usado, e os PDFs agora aparecem na pré-visualização de impressão com a escala correta ao usar a opção de ajuste à largura da página. Usuários de Windows também ganharam a possibilidade de trocar o ícone do aplicativo, com opções como os antigos símbolos de 2004 e 2017 e uma versão temática Pride — macOS e Linux devem receber a função depois.

Correções de segurança: um bom motivo para atualizar logo

Um detalhe que costuma passar batido nas manchetes, mas que talvez seja o mais importante de todos. O boletim de segurança do Firefox 154 lista 58 vulnerabilidades corrigidas, sendo 54 delas descobertas e reportadas por pesquisadores externos. A Mozilla classificou 17 dessas falhas como de alto risco e outras 30 como de risco médio.

Ou seja, independentemente de você se interessar pelas funções de IA ou pelos jogos em nuvem, atualizar o navegador é uma boa ideia. Também saíram atualizações para as versões ESR 153.1 e 140.14, e até o ramo ESR 115, voltado a sistemas antigos, recebeu a versão 115.39 — a Mozilla estendeu o suporte a Windows 7, 8 e 8.1 nessa linha até março de 2027.

A maior mudança é invisível: o fim do ciclo mensal

Aqui está a novidade que talvez tenha o maior impacto de longo prazo, e que passou quase despercebida. O Firefox 154 é a última versão lançada em ritmo mensal. Com o Firefox 155, previsto para 1º de setembro, a Mozilla passa a adotar um ciclo de lançamentos a cada duas semanas.

A justificativa é direta: fazer com que recursos e melhorias já prontos cheguem mais rápido aos usuários, em vez de esperarem a próxima janela mensal. É uma mudança que se alinha ao ritmo acelerado da concorrência, especialmente em um momento em que navegadores baseados em Chromium recebem novidades com frequência alta.

Para quem administra máquinas em ambiente corporativo, vale ficar atento: um ciclo mais curto significa mais atualizações para gerenciar, ainda que as versões ESR continuem sendo a escolha mais estável para esse cenário.

Vale a pena atualizar?

No conjunto, o Firefox 154 é uma versão robusta. As funções de IA continuam opcionais e com controles claros nas mãos do usuário, o que é coerente com o posicionamento histórico da Mozilla em relação à privacidade. O suporte ao GeForce NOW resolve uma limitação antiga para os gamers no Windows, e a chegada do Startpage como opção nativa reforça o discurso de dar alternativas reais de busca.

Mas se você precisar de apenas um motivo para atualizar hoje mesmo, ele é a correção das quase seis dezenas de falhas de segurança. As novidades são bem-vindas; a proteção é essencial. E com o novo ciclo quinzenal chegando em setembro, prepare-se para ver o Firefox mudando com mais frequência daqui para frente.

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