Infraestrutura de Dados Fraca Impede Lucro de Projetos de IA

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Apesar dos investimentos bilionários em inteligência artificial generativa (GenAI), a maioria das empresas ainda não consegue obter retorno mensurável. Um novo estudo aponta que o problema não está nos algoritmos, mas sim na camada oculta por trás deles — a infraestrutura de dados. Questões como armazenamento, escalabilidade e gargalos de desempenho estão limitando o avanço da IA corporativa, impedindo que muitos projetos saiam da fase piloto e alcancem resultados financeiros reais.

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O Descompasso Entre Investimento e Retorno

Um estudo recente do Massachusetts Institute of Technology (MIT) revelou que, mesmo com empresas norte-americanas investindo entre US$ 30 e 40 bilhões em GenAI, 95% ainda não obtiveram retorno mensurável, enquanto apenas 5% conseguiram escalar suas soluções com sucesso.

De acordo com os pesquisadores, o problema não está na falta de talentos ou infraestrutura, mas na própria tecnologia — os sistemas atuais de IA ainda carecem de memória, adaptabilidade e capacidade de integração com fluxos de trabalho críticos.

A pesquisa indica uma divisão clara: um pequeno grupo de empresas consegue extrair grande valor da IA, enquanto a maioria não vê impacto significativo em seus resultados financeiros.


Principais Erros que Comprometem Projetos de IA Generativa

A maior parte das iniciativas de GenAI fracassa antes mesmo de sair da fase de testes. Entre mais de 300 implementações públicas analisadas, apenas uma pequena fração atingiu a escala necessária para gerar impacto real.

Entre os fatores mais recorrentes de falha estão:

  • Integração deficiente com processos empresariais;
  • Falta de aprendizado contínuo por parte dos modelos;
  • Uso de ferramentas paralelas por funcionários, como ChatGPT, fora dos sistemas corporativos;
  • Alocação inadequada de orçamento, com foco excessivo em vendas e marketing, em detrimento da automação de processos internos.

Segundo Björn Kolbeck, CEO e cofundador da Quobyte, os problemas de retorno se estendem por todas as camadas corporativas — desde soluções mal implementadas até limitações técnicas graves. Ele destaca que a infraestrutura deficiente, especialmente o armazenamento de dados, é o principal gargalo de desempenho.

“Todos sofrem se não for possível alimentar GPUs em escala, seja pela falta de memória, adaptabilidade ou integração”, explicou Kolbeck.


Por Que o Armazenamento É o Elo Fraco da Infraestrutura de IA

Muitas empresas investem pesadamente em IA, mas negligenciam o armazenamento adequado para sustentar o treinamento e a operação dos modelos. Segundo Kolbeck, esse erro leva a três problemas principais:

  1. Criação de silos de dados, que dificultam o acesso unificado às informações;
  2. Baixo desempenho, causado por sistemas que não acompanham a velocidade das GPUs;
  3. Falta de disponibilidade contínua, comprometendo a confiabilidade das aplicações.

O especialista ressalta que o armazenamento deve ser capaz de escalar horizontalmente e oferecer acesso unificado, criando um verdadeiro “data lake” corporativo — uma base centralizada e eficiente de dados para toda a empresa.

Quando o desempenho do armazenamento não acompanha as demandas de processamento, GPUs caras ficam ociosas, atrasando treinamentos e desperdiçando recursos.


A Importância da Arquitetura “Scale-Out”

Para Kolbeck, o sucesso em larga escala da IA depende de uma mudança estrutural na forma como o armazenamento é projetado. Ele defende o modelo “scale-out”, no qual a capacidade é ampliada horizontalmente com a adição de novos servidores, em vez do tradicional “scale-up”, que apenas expande o poder de um único sistema.

A Quobyte adota essa abordagem em seu sistema de arquivos paralelos, transformando servidores comuns em uma infraestrutura de armazenamento de alto desempenho e escalável.

“Projetos de IA precisam de armazenamento que cresça na mesma proporção em que se adicionam GPUs. Caso contrário, o progresso é limitado”, afirma Kolbeck.

Esse conceito é inspirado em mudanças vistas em outras áreas — desde o avanço dos clusters em computação de alto desempenho (HPC) até a arquitetura distribuída dos grandes provedores de nuvem.


Enfrentando os Maiores Desafios de Dados

Os fluxos de trabalho de IA envolvem diferentes tipos e tamanhos de arquivos, exigindo alta capacidade de leitura e gravação simultânea por múltiplas GPUs. Além disso, os sistemas precisam se adaptar rapidamente a novas demandas impostas por cientistas de dados em constante experimentação.

Kolbeck reforça a importância de ferramentas de análise de desempenho em tempo real, que permitam aos administradores de armazenamento compreender o impacto das aplicações e ajustar o sistema conforme necessário.

Na visão da Quobyte, o uso de gestão baseada em políticas facilita essa adaptação — permitindo reorganizar, mover ou modificar o armazenamento com poucos cliques, conforme as necessidades do negócio evoluem.


Por Que Tecnologias Legadas Não São Suficientes

Segundo Kolbeck, grande parte das empresas ainda utiliza tecnologias antigas de armazenamento, como o protocolo NFS, criado em 1984 pela Sun Microsystems. Esse tipo de sistema não acompanha as exigências de escala e flexibilidade da IA moderna.

Ele compara dois caminhos históricos: o da Yahoo, que apostou em sistemas baseados em NFS, e o da Google, que construiu toda sua infraestrutura em software distribuído sobre servidores comuns. O sucesso da segunda estratégia demonstra o poder de uma abordagem escalável e moderna.

“Acreditar que a tecnologia de armazenamento tradicional será suficiente para sustentar projetos de IA é, na melhor das hipóteses, otimismo ingênuo”, comentou.


A Base Invisível da Inteligência Artificial

O verdadeiro desafio da IA generativa nas empresas não está apenas em desenvolver modelos mais inteligentes, mas em construir a base de dados e infraestrutura capaz de sustentá-los.

Sem sistemas escaláveis, de alto desempenho e com acesso unificado, os projetos de IA continuarão presos em estágios experimentais, incapazes de gerar retorno real.

Em um cenário em que o potencial da IA cresce exponencialmente, o futuro das aplicações empresariais dependerá cada vez mais da solidez — e não da visibilidade — da infraestrutura que as suporta.

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