Cérebro-Máquina: Nervo Artificial com Transistores Orgânicos

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Pesquisadores das universidades Xi’an Jiaotong (China) e Técnica de Munique (Alemanha) desenvolveram um nervo artificial de alta frequência que pode revolucionar as interfaces cérebro-máquina e outras tecnologias avançadas. Essa inovação utiliza transistores orgânicos eletroquímicos integrados de forma homogênea para imitar funções essenciais do sistema nervoso humano.

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Desafios e Avanços na Criação de Nervo Artificial

Ao longo dos anos, engenheiros têm buscado replicar funções biológicas – como sinapses, pele e nervos – para criar sistemas inspirados na biologia, conhecidos como nervos artificiais. Esses sistemas podem ser aplicados em diversas áreas, incluindo:

  • Reparo de nervos danificados
  • Interfaces cérebro-computador
  • Sensores de alta precisão
  • Eletrônicos avançados

Porém, construir sistemas que operem em frequências compatíveis com os processos biológicos e reproduzam de forma realista a função dos nervos sempre foi um grande desafio.


A Inovadora Solução dos Transistores Orgânicos

A equipe de pesquisadores apresentou uma abordagem inovadora utilizando transistores orgânicos eletroquímicos (OECTs) do tipo n. Essa tecnologia se destaca por:

  • Transporte Otimizado:
    A nova estrutura em OECTs melhora significativamente o transporte de íons e elétrons, superando limitações de versões anteriores.
  • Resposta Ultrarrápida:
    Com uma resposta volátil de apenas 27 microssegundos, o sistema responde quase instantaneamente aos sinais.
  • Memória Não-Volátil de Alta Frequência:
    O dispositivo atinge uma frequência de memória de 100 kHz, permitindo o armazenamento de carga por longos períodos.
  • Estrutura Avançada:
    A criação de um transistor vertical com uma estrutura bicontínua de gradiente intermisturado possibilita simultaneamente um transporte eficiente e um armazenamento prolongado de íons.

Esses transistores são depositados sequencialmente sobre um substrato, permitindo que o dispositivo imite as funções de receptores, sinapses e somas do sistema nervoso, gerando circuitos semelhantes aos nervos biológicos.


Resultados Promissores em Testes com Modelos Animais

Para avaliar o potencial do novo nervo artificial, os pesquisadores implantaram o dispositivo em camundongos com funções neurais comprometidas. Os resultados foram bastante encorajadores:

  • Compatibilidade Biológica:
    O nervo artificial se mostrou compatível com os tecidos dos camundongos.
  • Imitação de Reflexos Condicionados:
    O sistema reproduziu comportamentos reflexos básicos, demonstrando a viabilidade do dispositivo para aplicações em interfaces cérebro-máquina.

Aplicações Futuras e Impacto Tecnológico

Com o sucesso nos testes iniciais, esse nervo artificial promete ser uma ferramenta valiosa para futuras tecnologias. Entre as possíveis aplicações, destacam-se:

  • Reparo de Circuitos Nervosos:
    Avanços em terapias para a recuperação de lesões nervosas.
  • Interfaces Cérebro-Computador:
    Desenvolvimento de próteses controladas pelo cérebro e dispositivos que permitam a comunicação de pacientes paralisados.
  • Monitoramento Preciso da Atividade Cerebral:
    Sistemas para detectar e manipular sinais neurais com alta precisão.

Essa inovação pode abrir caminho para uma nova era em neuroengenharia, proporcionando soluções que integram a tecnologia diretamente com o sistema nervoso humano.


O nervo artificial baseado em transistores orgânicos eletroquímicos representa um avanço significativo no desenvolvimento de interfaces cérebro-máquina. Com uma resposta ultrarrápida, alta frequência de memória e excelente transporte de íons e elétrons, essa tecnologia ultrapassa as limitações dos dispositivos anteriores e promete transformar a forma como interagimos com dispositivos neurais.

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